subject
PortuguĂŞs, 16.08.2019 15:54 ruiva2673

Leia o texto: casa do meu avĂ´

meu avĂ´ paterno , que se chamava herodoto, tinha dois irmĂŁos, kociusko e aristĂłbulo; sua casa era bem diferente da casa da minha avĂł materna.
eram também 11 tios e tias, mas todos nervosos, desobedientes, brigões e barulhentos. falavam alto, discutiam e davam grandes gargalhadas - tudo ao mesmo tempo. depois que a minha avó morreu, meu avô se casou de novo; os três filhos do primeiro casamento odiavam a madrasta, é claro, e eram correspondidos com intensidade, coisas de uma família normal. sendo assim, seus enteados - entre eles meu pai - tinham muita liberdade: para fazer e sobretudo para pensar.
todos adoravam comer e, como a casa era perto do mar, havia sempre grandes peixadas, muito mexilhão, muito camarão de rio e de mar e muita lagosta. no quintal, um canteiro só de pimenta malagueta, e a família se fartava. comia-se macarrão com pimenta, ovo frito com pimenta, pão com pimenta, sempre tirada na hora, do pé -em conserva, nem pensar. a pimenta era amassada com a faca e espalhada sobre o que se ia comer. todo mundo saía da mesa fungando, e meu avô dizia: "se não chorar, não vale". os mais velhos, quando iam à casa de outros parentes, levavam pimentas num vidrinho, para o que desse e viesse.
no quintal, um monte de galinhas soltas, e também um galo grande, lindo, de penas ruivas, e um galinho garnisé branco. a primeira percepção de vida que senti -sem entender- foi quando segurei pela primeira vez um ovo que a galinha tinha acabado de botar. o ovo era quente, mas um quente diferente, perturbador; um quente vivo.
havia uma mangueira e os mais novos amarravam um saquinho na ponta de uma vara para tirar as mangas ainda verdes; as frutas eram massageadas para que parecessem maduras e vendidas numa rua longe da casa -espertos, os meninos. quando se comia galinha, o que era raro, era ao molho pardo, e a garotada não perdia a cena, com direito a muito cacarejo e muito sangue. a briga na mesa era pela moela, o objeto de desejo de todos. o pescoço era jogado para um cachorro vira-lata que não não tinha dono e sempre aparecia para alguma sobra de comida. ah, na casa desse meu avô nunca se falou em religião nem nunca ninguém foi à missa.
lá não havia muita disciplina; a madrasta de meu pai não conseguia mandar nos que não eram seus filhos e, como os dela queriam fazer o que os meio-irmãos faziam, o resultado era uma confusão permanente. um dia, a família resolveu se mudar e, quando chegaram à casa nova e contaram, notaram que faltava uma criança; foi preciso voltar para buscá-la.
quando meu avô ficou tuberculoso, o médico recomendou uma cidade de bom clima, e a família mudou-se para barbacena. fomos visitá-lo uma vez; seu prato, seu copo e seus talheres eram separados dos dos outros, e não se podia chegar perto para não pegar a doença. ele ficava o dia todo na varanda, triste, numa cadeira de vime, com as pernas cobertas por uma manta, tomando leite, coitado.
era especial, meu avĂ´, e com ele nĂŁo havia essa de economizar nos sentimentos: quando eu nasci, mandou fazer meu nome em metal, bem grande, e botou na fachada da casa onde morava. ah, meu avĂ´ querido.
depois que ele morreu, a família se dispersou, mas ainda guardo dele a mais linda carta que já recebi, contando um sonho que havia tido comigo, querendo me abraçar e não conseguindo.
o tempo passou, mas ainda sei trechos dessa carta de cor - e continuo gostando muito de comer pimenta.
e, como ele dizia, se nĂŁo chorar, nĂŁo vale.

responda :

observe que o último enunciado da crônica (“e, como ele dizia, se não chorar não vale”) aplica-se a duas situações. quais são elas e como se diferenciam?

por que a figura do avĂ´ paterno foi tĂŁo marcante para a autora?

chamamos de motivo os temas ou imagens recorrentes nos textos ou em outros objetos culturais, como filmes, quadros, telenovelas, etc. nos romances policiais, por exemplo, um motivo recorrente é o investigador um tanto quanto excêntrico. e, nas telenovelas, a paixão e o casamento de rico com pobre. observe que há um momento nesse segundo texto em que aparece o motivo “a primeira vez” (que já encontramos na crônica “mar”, de rubem braga). de que “primeira vez” nos fala a autora?

faça um resumo desse texto

me ajudem !

Respostas
Respostas: 1

Outra pergunta: PortuguĂŞs

question
PortuguĂŞs, 15.08.2019 01:04
Camões escreveu o mundo se os tempos mudam-se as vontades afirmação que pode ser relacionada às mudanças que a literatura sofreu ao longo do tempo e ainda sofre os poetas clássicos juntamente com as suas regras de objetividades foram destronados na primeira parte do século xx pelos escritores românticos que defendiam a escrita livre e subjetiva e na sequência ainda no mesmo século esses escritores perderam espaço para os escritores denominadores naturalistas que buscavam representar uma sociedade funcione defende a coletividade é possível concluir que:
Respostas: 2
question
PortuguĂŞs, 15.08.2019 01:03
Descreva e explique a carta de caminha ​
Respostas: 2
question
PortuguĂŞs, 15.08.2019 00:56
Qual é a semelhança e a diferença entre um bilhete e uma carta? (3 linhas)
Respostas: 2
question
PortuguĂŞs, 15.08.2019 00:54
Texto meus oito anos como você explica a concordância, ou a falta de concordância, em "sem nenhum laranjais"?
Respostas: 1
VocĂŞ sabe a resposta certa?
Leia o texto: casa do meu avĂ´

meu avĂ´ paterno , que se chamava herodoto, tinha dois irm...
Perguntas
question
Matemática, 16.10.2020 16:14
question
FĂ­sica, 16.10.2020 16:14
question
Matemática, 16.10.2020 16:14
Perguntas no site: 20137058