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Português, 23.12.2020 17:30 alice4349

Não faças versos sobre acontecimentos. Não há criação nem
morte perante a poesia Diante dela, a
vida é um sol estático.
não aquece nem ilumina.
As afinidades, os aniversários, os incidentes pessoais não
contam Não faças poesia com o corpo
esse excelente, completo e confortável corpo, tão infenso
à elusão linca
Tua gota de bile, tua careta de gozo ou de dor
no escuro são indiferentes
Nem me reveles teus sentimentos
que se prevalecem do equivoco e tentam a longa
viagem O que pensas e sentes. isso ainda não é
poesia
Não cantes lua cidade, deixa a em paz
O canto nao é o movimento das máquinas nem o
segredo das casas
Nao o música ouvida de passagem rumor do mar nas
ruas junto a linha de espuma.
O canto não é a natureza
nem os homens em sociedade
Para ele, chuva e noite, fadiga e esperança nada
significam. A poesia (não tires poesia das coisas)
elide sujeito e objeto.
Não dramatizes, não invoques.
não indagues Não percas tempo em
mentir. Nao te aborreças
Teu iate de marlim, teu sapato de diamante,
vossas mazurcas e abusoes, vossos esqueletos
de familia desaparecem na curva do tempo, é algo
imprestável
Não recomponhas
lua sepultada e merencoria infancia.
Não osciles entre o
espelho e a memónia
em dissipação
Que se dissipou, não
era poesia que se
partiu, cristal não era
Penetra surdamente no reino das palavras
Lá estão os poemas que esperam
ser escritos. Estão paralisados, mas
não há desespero.
há calma e frescura na superficie Intata
El-los sós e mudos, em estado de
dicionário. Convive com teus poemas.
antes de escrevê-los. Tem paciencia se
obscuros Calma, se te provocam
Espera que cada um se realize e
consume com seu poder de
palavra
e seu poder de silencio.
Não forces o poema a desprende
se do limbo Não colhas no chão o
poema que se perdeu
Nao adules o poema. Aceila-o
como ele aceitará sua forma definitiva e
concentrada no espaço
Chega mais perto e contempla as palavras
Cada uma
tem mil faces secretas sob a face neutra
e te pergunta, sem interesse pela
resposta, pobre ou terrivel, que
lhe deres:
Trouxeste a chave?
Repara:
ermas de melodia e conceito
elas se refugiaram na noite, as
palavras. Ainda umidas e
impregnadas de sono.
rolam num rio dificil e se transformam em desprezo.
1) Após a leitura e interpretação desse Poema, o que autor quis dizer?​

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