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Sociologia, 23.08.2013 21:26 nathallya30

Poema ''eu, etiqueta."? eu, etiqueta
"em minha calça está grudado um nome
que não é meu de baptismo ou de cartório,
um estranho.
meu blus√£o traz lembrete de bebida
que jamais pus na boca, nesta vida.
em minha , a marca de cigarroque não fumo, até hoje não fumei.
minhas meias falam de produto
que nunca experimentei
mas são comunicados a meus pés.
meu ténis é proclama colorido
de alguma coisa n√£o provada
por este provador de longa idade.
meu lenço, meu relógio, meu chaveiro,
minha gravata e cinto e escova e pente,
meu copo, minha xícara,
minha toalha de banho e sabonete,
meu isso, meu aquilo,
desde a cabeça ao bico dos sapatos,
s√£o mensagens,
letras falantes,
gritos visuais,
ordens de uso, abuso, reincidência,
costume, hábito, premência,
indispensabilidade,
e fazem de mim homem ‚ÄĒ an√ļncio itinerante,
escravo da matéria anunciada.
estou, estou na moda.
é doce estar na moda, ainda que a moda
seja negar minha identidade,
trocá-la por mil, açambarcando
todas as marcas registadas,
todos os logotipos do mercado.
com que inocência demito-me de ser
eu que antes era e me sabia
t√£o diverso dos outros, t√£o mim-mesmo,
ser pensante, sentinte e solid√°rio
com outros seres diversos e conscientes
da sua humana, invencível condição.
agora sou an√ļncio,
ora vulgar ora bizarro,
em língua nacional ou em qualquer língua
(qualquer, principalmente).
e nisto me comprazo, tiro glória
de minha anulação.
n√£o sou ‚ÄĒ v√™ l√° ‚ÄĒ an√ļncio contratado.
eu é que mimosamente pago
para anunciar, para vender
em bares festas praias pérgulas piscinas,
e bem à vista exibo esta etiqueta
global no corpo que desiste
de ser veste e sandália de uma essência
t√£o viva, independente,
que moda ou suborno algum a compromete.
onde terei jogado fora
meu gosto e capacidade de escolher,
minhas idiossincrasias t√£o pessoais,
t√£o minhas que no rosto se espelhavam,
e cada gesto, cada olhar,
cada vinco da roupa
resumia uma estética?
hoje sou costurado, sou tecido,
sou gravado de forma universal,
saio da estamparia, n√£o de casa,
da vitrina me tiram, recolocam,
objecto pulsante mas objecto
que se oferece como signo de outros
objectos est√°ticos, tarifados.
por me ostentar assim, t√£o orgulhoso
de ser n√£o eu, mas artigo industrial,
peço que meu nome rectifiquem.
já não me convém o título de homem.
meu nome novo é coisa.
eu sou a coisa, coisamente." 1 - ao ler esse poema você indentifica alguma situação que enfrenta no seu cotidiano , em casa, na ou entre amigos ?

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Outra pergunta: Sociologia

question
Sociologia, 15.08.2019 01:04
Que palavra poderia ser usada como sin√īnimo de √©tica ? ‚Äč
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Sociologia, 15.08.2019 00:33
Sorteando um n√ļmero natural de 1 a 30, qual √© a probabilidade de o n√ļmero sorteado ser par? ( fra√ß√£o e porcentagem).‚Äč
Respostas: 1
question
Sociologia, 15.08.2019 04:20
Qual √© o resultado de : )[tex] - \frac{ 3}{9} + \frac{1}{4} [/tex]‚Äč
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Sociologia, 15.08.2019 02:57
Para isso o m√©todo prop√Ķe investigar a s evid√™ncias impiricas para derrubar hip√≥teses pr√©vias dessa forma
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Você sabe a resposta certa?
Poema ''eu, etiqueta."? eu, etiqueta
"em minha calça está grudado um nome
que não é meu d...
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